sábado, 20 de setembro de 2008
Sou
Nada, porra nenhuma. Fazer nada é arte, é uma vontade que nasce contigo, é um defeito admirável. Ser nada é um lixo. Se reconhecer nada é triste. Um dia quem sabe.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Não fazendo, escrevendo
Eu estou aqui precisando fazer um trabalho e eu decidi por não fazê-lo, nesse exato momento. Tava fazendo nada e fui ler o que já escrevi. Confesso que gostei. Escrevi muito sobre escrever. De primeira pode parecer que subverti a idéia inicial da coisa mas é inegável a total falta de conteúdo dos textos e o fato de eles terem sido produzidos em momento de ócio. Eu estudo na USP, tem uma porrada de livros aqui em casa, eu tenho um monte de música no computador e um monte de cds, eu tenho tv a cabo, meu quarto sempre tem algo fora do lugar e minha casa também sempre tem pó acumulado em algum canto, é óbvio que eu poderia estar fazendo algo mais produtivo do que escrever em um blog que ninguém lê.
Escrevo, logo, pratico o ócio.
Escrevo, logo, pratico o ócio.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Texto 3
Dois textos na mesma noite? Quanta pretensão de minha parte não. É que preciso escrever que quero ser escritor. Não sei de onde surgiu a idéia. Não a de ser escritor. A idéia que deu origem à frase. Não sei explicar. É porque esse é o emprego perfeito para mim. Trabalhar em casa, não ter chefe, fazer o que quiser com seu trabalho. Com meu extenso conhecimento sobre muito – que deriva no conhecimento profundo sobre nada – posso ir muito longe. Tipo o Machado. Deve ser o máximo escrever sobre casaizinhos e traição, depois sobre loucos com teorias revolucionárias, depois sobre um cara que quer cuidar de loucos nada loucos, apaixonados por viúvas, tretas de irmãos. Não que eu sonhe um dia virar um Machado. Quero alguma coisa mais Diogo Mainardi. Só que com mais diversidade, claro. Porque nada mais manjado do que falar mal de presidente, é tipo falar que não gosta de festa de família por causa de tias gordas. Tem tanta coisa pra falar mal, mas todo mundo tem sempre que meter pau no Lula, no PT ou nas tias gordas de reuniões familiares. Mas eu comecei a viajar. O estilo Mainardi é bacana porque você pode citar várias pessoas e coisas sobre as quais você tem um conhecimento bem pequenininho e parece que você manja muito porque toda semana você fala de uma coisa diferente (ele sempre fala do Lula, mas ele sempre usa uma coisa diferente para as pessoas não pararem de ler a coluna). O desafio não é lá muito grande porque ele escreve para a classe média brasileira. O meu é muito maior porque meu público é mais exigente (resumido a mim mesmo porque ele não existe [risos]).
Eu me empolguei porque antes de começar a escrever eu pensei que essa era a minha chance de usar o negócio da tia gorda que eu tinha pensado faz muito tempo atrás e eu não podia desperdiçar a chance. Na verdade a alma do texto é o lance das tias gordas. Mas eu realmente seria uma pessoa muito feliz se ganhasse para escrever. Sem datas limite, logicamente.
Eu me empolguei porque antes de começar a escrever eu pensei que essa era a minha chance de usar o negócio da tia gorda que eu tinha pensado faz muito tempo atrás e eu não podia desperdiçar a chance. Na verdade a alma do texto é o lance das tias gordas. Mas eu realmente seria uma pessoa muito feliz se ganhasse para escrever. Sem datas limite, logicamente.
Texto 2
Já não ouço mais a trilha de Juno. Estou ouvindo algo sobre ser racional. Há como eu adoro ser racional. Saramago me permite escrever assim. Isabela sorri.
Só acredito no semáforo. Eu crio muitas coisas em minha cabeça para me proteger das coisas erradas que faço por aí. Para me proteger das coisas que os outros fazem e eu considero erradas. A racionalidade é minha maior arma. As pessoas beijam outras pessoas porque o sexo e atos correlatos são instintivos. Eu ia fazer uma lista de coisas que eu resolvo com racionalidade, mas eu não consegui passar dessa primeira frase. Provavelmente porque tudo acaba em sexo mesmo. Isso já me lembra outra coisa. Que tudo que eu já cheguei a considerar problema está relacionado a pessoas. E eu teimo em dizer que não tenho problemas porque isso é coisa de gente grande. Pode-se concluir que ou eu não quero admitir que pessoas possam ser tão influentes na minha vida a ponto de eu considerá-las problemas ou eu realmente sou um reclamão.
Esse negócio da racionalidade, eu ser mega (achei gay, ia colocar super, mas aí vi que qualquer coisa que colocasse aqui para dar ênfase soaria homossexual) racional e tal, já é uma coisa que assumi tão fortemente em minha vida que mal consigo escrever sobre tal assunto. Na verdade eu nunca me achei muito racional, mas já ouvi mais de uma vez “cold, you´re so cold, you´re so cold, you´re so coooold, oh no no no no cold”, ou sem coração ou algo do tipo que dei uma assumida na identidade. Eu separo muito bem as coisas, eu consigo ignorar tristeza alheia, eu acho a palavra morreu engraçada. O anti-emoção em pessoa. Dá um pequeno orgulho. Não deixo as pessoas verem que o mais me idiota me deixa mal por um dia inteiro, até dois. Ninguém gosta de demonstrar fraqueza. A não ser que consiga tirar proveito disso. Eu prefiro mostrar para as pessoas que elas estão erradas do que mostrar que fui magoado por elas. Não sei o porque. (como não sei as regras do porque eu geralmente escrevo sempre assim mesmo) Orgulho? Talvez eu prefira não admitir que seja isso, parece deveras humano. Acho que prefiro deixar a questão em aberto. Hoje a bateria não vai acabar então eu deveria terminar isso daqui de um jeito mais terminado e tal. Mas eu não consigo. Assim como não consigo parar de repetir para mim mesmo que eu tenho que ser racional. Só me resta dançar um tango argentino. Caio sorri.
Só acredito no semáforo. Eu crio muitas coisas em minha cabeça para me proteger das coisas erradas que faço por aí. Para me proteger das coisas que os outros fazem e eu considero erradas. A racionalidade é minha maior arma. As pessoas beijam outras pessoas porque o sexo e atos correlatos são instintivos. Eu ia fazer uma lista de coisas que eu resolvo com racionalidade, mas eu não consegui passar dessa primeira frase. Provavelmente porque tudo acaba em sexo mesmo. Isso já me lembra outra coisa. Que tudo que eu já cheguei a considerar problema está relacionado a pessoas. E eu teimo em dizer que não tenho problemas porque isso é coisa de gente grande. Pode-se concluir que ou eu não quero admitir que pessoas possam ser tão influentes na minha vida a ponto de eu considerá-las problemas ou eu realmente sou um reclamão.
Esse negócio da racionalidade, eu ser mega (achei gay, ia colocar super, mas aí vi que qualquer coisa que colocasse aqui para dar ênfase soaria homossexual) racional e tal, já é uma coisa que assumi tão fortemente em minha vida que mal consigo escrever sobre tal assunto. Na verdade eu nunca me achei muito racional, mas já ouvi mais de uma vez “cold, you´re so cold, you´re so cold, you´re so coooold, oh no no no no cold”, ou sem coração ou algo do tipo que dei uma assumida na identidade. Eu separo muito bem as coisas, eu consigo ignorar tristeza alheia, eu acho a palavra morreu engraçada. O anti-emoção em pessoa. Dá um pequeno orgulho. Não deixo as pessoas verem que o mais me idiota me deixa mal por um dia inteiro, até dois. Ninguém gosta de demonstrar fraqueza. A não ser que consiga tirar proveito disso. Eu prefiro mostrar para as pessoas que elas estão erradas do que mostrar que fui magoado por elas. Não sei o porque. (como não sei as regras do porque eu geralmente escrevo sempre assim mesmo) Orgulho? Talvez eu prefira não admitir que seja isso, parece deveras humano. Acho que prefiro deixar a questão em aberto. Hoje a bateria não vai acabar então eu deveria terminar isso daqui de um jeito mais terminado e tal. Mas eu não consigo. Assim como não consigo parar de repetir para mim mesmo que eu tenho que ser racional. Só me resta dançar um tango argentino. Caio sorri.
Texto
Eu agora tenho um notebook. Não vou virar um grande escritor por causa disso. Acho que nunca vou virar um grande escritor. Não sei me expressar bem, não conheço bem as regras gramaticais, pois acho que cada um deveria poder se expressar da forma que bem entender. Se essas pessoas que acabei de citar quiserem ser entendidas elas que se preocupem com as tão queridas regras gramaticais. Estou ouvindo a música Anyone Else But You repetidamente. Escrevo pequenas frases para facilitar a compreensão e a escrita.
Eu não tenho grandes ambições ao escrever. Eu gosto de fazer isso. E eu faço. Pra ser sincero eu tenho uma puta ambição ao escrever. Eu quero aliviar minha alma. Eu tenho uma alma pesada. Pesadíssima. Inquieta. Não me dou bem comigo. Acredito que posso começar a me dar bem comigo. Acredito que ao pensar mais sobre as coisas que e outros fazem eu consiga começar a me dar bem com minha pessoa. Meu interior. Não sei se posso chamar assim. Acho que escrever, colocar as coisas em telas pelo menos, me ajuda a exteriorizar as questões que me afligem e acredito que isso pode vir a me ajudar de uma forma mais geral.
Não acho que a juventude está perdida. Mas tenho um problema sério de opinião. Acho que a palavra não é opinião. Não sei dizer meu maior medo, minha maior alegria, minha maior decepção, minha maior vontade, o que eu quero do meu futuro, minha comida preferida, o que eu mais gosto de fazer, minha banda preferida, meu filme preferido, a lembrança que me faz mais feliz, meu maior defeito (nem o de ninguém), minha maior qualidade (nem a de ninguém), nem o que estou pensando no momento quando alguém me pergunta isso. Espero ter me feito entender.
Gosto de escrever sobre mim porque parece que eu me importo. Não que ninguém se importe. Acho que alguém se importa. Mas não do jeito que eu queria. Eu não sei o jeito que eu queria. Mas nunca fico satisfeito com o jeito com que as pessoas perguntam sobre mim. Na minha cabeça a primeira frase era “Gosto de escrever sobre mim porque parece que alguém se importa”, isso foi um puta ato falho do caralho que eu não corrigi porque isso supostamente diz alguma coisa muito importante sobre o meu subconsciente.
Eu odeio gente que só fala sobre si porque eu acho que isso exibe uma falta de criatividade do caralho. A bateria vai acabar. Então o texto também.
Eu não tenho grandes ambições ao escrever. Eu gosto de fazer isso. E eu faço. Pra ser sincero eu tenho uma puta ambição ao escrever. Eu quero aliviar minha alma. Eu tenho uma alma pesada. Pesadíssima. Inquieta. Não me dou bem comigo. Acredito que posso começar a me dar bem comigo. Acredito que ao pensar mais sobre as coisas que e outros fazem eu consiga começar a me dar bem com minha pessoa. Meu interior. Não sei se posso chamar assim. Acho que escrever, colocar as coisas em telas pelo menos, me ajuda a exteriorizar as questões que me afligem e acredito que isso pode vir a me ajudar de uma forma mais geral.
Não acho que a juventude está perdida. Mas tenho um problema sério de opinião. Acho que a palavra não é opinião. Não sei dizer meu maior medo, minha maior alegria, minha maior decepção, minha maior vontade, o que eu quero do meu futuro, minha comida preferida, o que eu mais gosto de fazer, minha banda preferida, meu filme preferido, a lembrança que me faz mais feliz, meu maior defeito (nem o de ninguém), minha maior qualidade (nem a de ninguém), nem o que estou pensando no momento quando alguém me pergunta isso. Espero ter me feito entender.
Gosto de escrever sobre mim porque parece que eu me importo. Não que ninguém se importe. Acho que alguém se importa. Mas não do jeito que eu queria. Eu não sei o jeito que eu queria. Mas nunca fico satisfeito com o jeito com que as pessoas perguntam sobre mim. Na minha cabeça a primeira frase era “Gosto de escrever sobre mim porque parece que alguém se importa”, isso foi um puta ato falho do caralho que eu não corrigi porque isso supostamente diz alguma coisa muito importante sobre o meu subconsciente.
Eu odeio gente que só fala sobre si porque eu acho que isso exibe uma falta de criatividade do caralho. A bateria vai acabar. Então o texto também.
sábado, 8 de março de 2008
Sobre o medo de escrever
Faz tempo que eu não escrevo. Não só aqui como em todos os outro lugares em que eu me atrevo a expressar meus pensamentos. Não entendo o porquê (?) desses bloqueios que me afligem de tempos em tempos. Eu sei que eu tenho medo de escrever merda visto que sei que já coloquei no ar muita porcaria, mas eu também sei que fazer umas coisas legaizinhas. Então porquê (eu nunca vou aprender a regra dos porques)?
Eu acho que comecei a discrimar demais essa atividade. Tanta gente mantém blogs e mais blogs por aí que acho que todo mundo se esqueceu da idéia inicial da coisa. Blogs eram diariozinhos das pessoas que não se contentavam em mantê-los embaixo do travesseiro. Não que eu não ache legal blogs que servem pra outras coisas, me utilizo muito deles, mas a putaria foi tanta que eu não quero me transformar em mais um. Eu já sou deveras afetado com essa história de ser mais um.
Esse texto todo foi só uma desculpa pra eu escrever de novo em algum lugar e pra falar que eu quero muito que qualquer amigo meu se mude para a casa ao lado da minha pois assim eu me sentiria muito menos solitário em dias como hoje.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Sobre pessoas que sofrem por não ter nada melhor para fazer me deixando entendiado no meio do caminho
Conheço um punhado de pessoas de minha idade que escrevem bem; por escrever bem entendo gente que não come vírgulas, não esquece acentos, expressa idéias com clareza e consegue que alguém permaneça lendo um texto de sua autoria por mais de 2 parágrafos sem rir de algum absurdo gramatical. Mas quando se trata de conteúdo, com tristeza afirmo não conheço ninguém de minha idade que escreva bem, com exceção de um amigo que foi se para um país ibérico e esqueceu de voltar, mas ele não conta porque não coloco os olhos em um texto de sua autoria já fazem uns anos.
Eu não entendo o que dá nos meus chegados (alguns nem o são, mas sou muito curioso e leio coisas de estranhos que acabam tornando-se conhecidos dada a frequência com que leio suas produções) de quererem sempre repetir-se naquela maldita coisa adolescente de falar de como a vida é difícil, como sofrem, como é difícil ser classe média ter quase tudo e não ter nada usando sempre daquela subjetividade escrota, enrolativa e cansativa. Eu sou adolescente já fazem uns anos, sinto um punhado de coisas boas e ruins e muitas vezes preciso colocar isso pra fora (como faço nesse espaço), mas é muito chato ler a mesma coisa em meia dúzia de páginas diferentes, cada pessoa querendo ser mais sofrida que a outra.
Não é que eu acho que ninguém tem que escrever sobre coisas que conturbam seu cotidiano, mas é difícil transformar tristeza, transtornos e devaneios inexpressivos em uma coisa com que as pessoas se identifiquem. Teve gente como o Álvares de Azevedo que passou a vida falando de desgraça e ficou famoso com isso ou o Robert Smith que fez uma porrada de música (é difícil escolher uma palavra, vou ficar com..) preta (?) e o pessoal pira; mas são excessões raríssimas. Eu sou sempre a favor da máxima de que pessoas que não possuem nada a acrescentar devem ficar quietas.
Sei lá, fiquei chato. Desculpem, só quero coisas mais divertidas para ler em momentos de ócio.
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