segunda-feira, 31 de março de 2008

Texto 2

Já não ouço mais a trilha de Juno. Estou ouvindo algo sobre ser racional. Há como eu adoro ser racional. Saramago me permite escrever assim. Isabela sorri.
Só acredito no semáforo. Eu crio muitas coisas em minha cabeça para me proteger das coisas erradas que faço por aí. Para me proteger das coisas que os outros fazem e eu considero erradas. A racionalidade é minha maior arma. As pessoas beijam outras pessoas porque o sexo e atos correlatos são instintivos. Eu ia fazer uma lista de coisas que eu resolvo com racionalidade, mas eu não consegui passar dessa primeira frase. Provavelmente porque tudo acaba em sexo mesmo. Isso já me lembra outra coisa. Que tudo que eu já cheguei a considerar problema está relacionado a pessoas. E eu teimo em dizer que não tenho problemas porque isso é coisa de gente grande. Pode-se concluir que ou eu não quero admitir que pessoas possam ser tão influentes na minha vida a ponto de eu considerá-las problemas ou eu realmente sou um reclamão.
Esse negócio da racionalidade, eu ser mega (achei gay, ia colocar super, mas aí vi que qualquer coisa que colocasse aqui para dar ênfase soaria homossexual) racional e tal, já é uma coisa que assumi tão fortemente em minha vida que mal consigo escrever sobre tal assunto. Na verdade eu nunca me achei muito racional, mas já ouvi mais de uma vez “cold, you´re so cold, you´re so cold, you´re so coooold, oh no no no no cold”, ou sem coração ou algo do tipo que dei uma assumida na identidade. Eu separo muito bem as coisas, eu consigo ignorar tristeza alheia, eu acho a palavra morreu engraçada. O anti-emoção em pessoa. Dá um pequeno orgulho. Não deixo as pessoas verem que o mais me idiota me deixa mal por um dia inteiro, até dois. Ninguém gosta de demonstrar fraqueza. A não ser que consiga tirar proveito disso. Eu prefiro mostrar para as pessoas que elas estão erradas do que mostrar que fui magoado por elas. Não sei o porque. (como não sei as regras do porque eu geralmente escrevo sempre assim mesmo) Orgulho? Talvez eu prefira não admitir que seja isso, parece deveras humano. Acho que prefiro deixar a questão em aberto. Hoje a bateria não vai acabar então eu deveria terminar isso daqui de um jeito mais terminado e tal. Mas eu não consigo. Assim como não consigo parar de repetir para mim mesmo que eu tenho que ser racional. Só me resta dançar um tango argentino. Caio sorri.

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