sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Sobre pessoas que sofrem por não ter nada melhor para fazer me deixando entendiado no meio do caminho

Conheço um punhado de pessoas de minha idade que escrevem bem; por escrever bem entendo gente que não come vírgulas, não esquece acentos, expressa idéias com clareza e consegue que alguém permaneça lendo um texto de sua autoria por mais de 2 parágrafos sem rir de algum absurdo gramatical. Mas quando se trata de conteúdo, com tristeza afirmo não conheço ninguém de minha idade que escreva bem, com exceção de um amigo que foi se para um país ibérico e esqueceu de voltar, mas ele não conta porque não coloco os olhos em um texto de sua autoria já fazem uns anos.
Eu não entendo o que dá nos meus chegados (alguns nem o são, mas sou muito curioso e leio coisas de estranhos que acabam tornando-se conhecidos dada a frequência com que leio suas produções) de quererem sempre repetir-se naquela maldita coisa adolescente de falar de como a vida é difícil, como sofrem, como é difícil ser classe média ter quase tudo e não ter nada usando sempre daquela subjetividade escrota, enrolativa e cansativa. Eu sou adolescente já fazem uns anos, sinto um punhado de coisas boas e ruins e muitas vezes preciso colocar isso pra fora (como faço nesse espaço), mas é muito chato ler a mesma coisa em meia dúzia de páginas diferentes, cada pessoa querendo ser mais sofrida que a outra.
Não é que eu acho que ninguém tem que escrever sobre coisas que conturbam seu cotidiano, mas é difícil transformar tristeza, transtornos e devaneios inexpressivos em uma coisa com que as pessoas se identifiquem. Teve gente como o Álvares de Azevedo que passou a vida falando de desgraça e ficou famoso com isso ou o Robert Smith que fez uma porrada de música (é difícil escolher uma palavra, vou ficar com..) preta (?) e o pessoal pira; mas são excessões raríssimas. Eu sou sempre a favor da máxima de que pessoas que não possuem nada a acrescentar devem ficar quietas.
Sei lá, fiquei chato. Desculpem, só quero coisas mais divertidas para ler em momentos de ócio.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

elite?

Vejo que entre 2 períodos de fazeção de nada (entenda como o momento em que fazemos algo) me dedico com muita vontade ao que estiver fazendo, despendendo um tempo maior do que o seria considerado o necessário e uma vontade superior a normal. Observando esse comportamento me dei conta que somos mantidos em nossas funções exatamente para dar atenção às questões que aqueles que realmente fazem ,não só uma mas muitas coisas, não dariam a mínima. Se nós partimos da premissa que do pequeno se faz o grande e fazemos muito bem o pequeno, podemos nos considerar a elite suprema do processo produtivo, aqueles que executam as tarefas das quais dependem todas as outras tarefas, banais porém essenciais. Não só executamos como fazemos isso com extrema maestria, dada nossa condição de não fazedores de nada pelo restante do tempo. Nos considero uma classe independente e transgressora, não incluídos totalmente no processo e ao mesmo tempo sendo a chave do mesmo processo. Esse processo de negação do trabalho e produção em seu nível mais elevado me deixa admirado.
Não pensem que eu esqueço daqueles que não fazem nada em casa, sei muito bem que nos períodos de ócio saem as melhores faxinas, se criam os melhores passatempos, se assistem os melhores filmes, se descobrem os maiores segredos de nossas casas. Os fazedores de nada são uma classe transgressora em qualquer ambiente, dando um papel ainda mais especial para as pessoas pertencentes a esse tão único núcleo.

ps. colaboradores, por favor, não me deixem monopolizar esse espaço com textos mal acabados e pseudointelectualidade.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Help!

Não fazer nada dói ás vezes. O simples ato da inação pdoe provocar uma angústia tão grande em nosso interior que me pego intrigado com tal questão. Acho que é tudo culpa dessa mentalidade imposta sobre nós desde nosso nascimento de que devemos nos tornar pessoas produtivas, inteligentes e felizes. Acho que vou começar a postar mais e com menos conteúdo, espero que meus contribuidores contribuam mas eles insistem em não fazer nada, insisto em pensar e minha mente não obedece. Continuo reclamando, esperando ser ouvido, um dia, quem sabe.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Existem diversos tipos de fazer nada, o vigiado, o explícito, o não calculado, o previsto. É engraçado como nos sentimos diferentes ao praticar cada categoria dessa tão ilustre arte. No momento pratico um fazer nada livre, ninguém responsável se encontra a minha volta, logo, não me sinto empelido a encontrar alguma atividade que vingue o salário que ganharei daqui uma semana (espero que venha mesmo!). Notei que ao estarmos inseridos em um ambiente onde outros estão produzindo não conseguimos praticar um fazer nada prazeiroso, ele é sempre acompanhado de um sentimento de culpa. Mesmo quando não há realmente o que fazer. Constato que não existe um único fazer nada, cada pessoa faz nada de um jeito diferente, dependendo da situação em que se encontra. Minha tristeza é que esse texto não tem um propósito e minha idéia inicial já foi exposta, logo será um texto vazio sobre fazer nada. Mas já me pipocou um bela idéia para um próximo texto: "Os mestres do fazer nada: meditadores".

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Ãhn!?

O que é fazer nada? Aliás o que é não fazer nada (ainda vou entender esse negócio da língua portuguesa que é a dupla negação)? Sempre que nos deparamos com a idéia de que não estamos fazendo nada, estamos fazendo algo no momento. Assistir o Domingão do Faustão, comer pizza fria, pensar (nessa categoria incluo pensamentos úteis como: pensamentos tristes e traumatizados, planos infalíveis, lembranças amorosas), brincar com o cachorro são atividades desprezadas do título de "fazedoras de algo" quando na realidade são algo, que podem ser não dotadas de valor para alguns, mas cheias de valor para outros.*
Não desejo perder o foco do texto, do blog, da minha vida. Eu acho sinceramente que esses atos são nada. Na verdade, serei ainda mais sincero, deixei de achar que esses atos são nada. Arranjei um estágio, pensei que ia virar uma pessoa trabalhadora e responsável, mas o mundo conspirou contra isso e virei um refém da atividade de fazer nada. Sabe quando dizem que funcionários públicos não fazem nada? Eu sou a exceção da regra, vocês podem não acreditar, mas meus chefes trabalham para não me deixar trabalhar, acho difícil encontrar alguém na mesma posição que minha pessoa (tirando meu cunhado, outro estagiário que eu sei que não faz nada mesmo). Daí a inspiração desse espaço, acho que essa minha sina vespertina é um ato demais transgressor e rebelde para passar despercebido. Estou cometendo uma heresia contra o capitalismo, a produtividade, a humanidade. Minha única atividade é a contemplação, eu contemplo minha mesa, esse computador e vez ou outra algum texto que deveria estar lendo para meu curso de graduação. Deixei de contemplar a atividade à minha volta por não querer parecer intrometido e por ser uma atividade demasiadadamente entendiante. Meu intuito é destrinchar toda a metodologia, os objetivos, a filosofia e a lógica por trás da ação da não ação. Acredito que o que motiva as pessoas escreverem (fora os jornalistas e todos aqueles que fazem do ato de escrever o seu modo de ganhar dinheiro) é o ócio, o pensamento entre as atividades, idéias despropositadas que não estavam progamadas em seu planejamento produtivo e/ou pessoal. Logo, me comprometo a só escrever nos momentos em que não estiver produzindo (o que não é difícil dado que ninguém consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, no sentido mais amplo da palavra fazer que não engloba atividades como mastigar e falar e ações involuntárias do corpo) , escrever apenas quando o ato de não fazer estiver em vigência. Vida longa (ou não. Não sei) à inação.
* Ia incluir ouvir música nessa lista, ma me recuso a admitir que ação tão nobre, cultural, inspiradora e engrandecedora de espírito possa vir a ser considerada uma inutilidade.