Conheço um punhado de pessoas de minha idade que escrevem bem; por escrever bem entendo gente que não come vírgulas, não esquece acentos, expressa idéias com clareza e consegue que alguém permaneça lendo um texto de sua autoria por mais de 2 parágrafos sem rir de algum absurdo gramatical. Mas quando se trata de conteúdo, com tristeza afirmo não conheço ninguém de minha idade que escreva bem, com exceção de um amigo que foi se para um país ibérico e esqueceu de voltar, mas ele não conta porque não coloco os olhos em um texto de sua autoria já fazem uns anos.
Eu não entendo o que dá nos meus chegados (alguns nem o são, mas sou muito curioso e leio coisas de estranhos que acabam tornando-se conhecidos dada a frequência com que leio suas produções) de quererem sempre repetir-se naquela maldita coisa adolescente de falar de como a vida é difícil, como sofrem, como é difícil ser classe média ter quase tudo e não ter nada usando sempre daquela subjetividade escrota, enrolativa e cansativa. Eu sou adolescente já fazem uns anos, sinto um punhado de coisas boas e ruins e muitas vezes preciso colocar isso pra fora (como faço nesse espaço), mas é muito chato ler a mesma coisa em meia dúzia de páginas diferentes, cada pessoa querendo ser mais sofrida que a outra.
Não é que eu acho que ninguém tem que escrever sobre coisas que conturbam seu cotidiano, mas é difícil transformar tristeza, transtornos e devaneios inexpressivos em uma coisa com que as pessoas se identifiquem. Teve gente como o Álvares de Azevedo que passou a vida falando de desgraça e ficou famoso com isso ou o Robert Smith que fez uma porrada de música (é difícil escolher uma palavra, vou ficar com..) preta (?) e o pessoal pira; mas são excessões raríssimas. Eu sou sempre a favor da máxima de que pessoas que não possuem nada a acrescentar devem ficar quietas.
Sei lá, fiquei chato. Desculpem, só quero coisas mais divertidas para ler em momentos de ócio.
